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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

ATÉ QUE TENHAMOS ROSTOS



Até Que Tenhamos Rostos, publicado em 1956, reconta o mito do Cupido e Psique. Como o próprio Lewis afirma, essa obra se trata de sua versão pessoal acerca do mito grego, e na qual, ele optou por recontar a estória por através de Orual, irmã mais velha de Psique. Ainda, nessa versão pessoal de C.S. Lewis, o autor optou também em fazer com que o palácio de Psique fosse invisível aos olhos das pessoas normais e mortais.

Como leitor, registro aqui a primeira intertextualidade que notei:
“Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade [...]” (O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry).

Acredito também que há possíveis intertextualidade com a Bíblia, pois as Obras de Jack (C.S. Lewis) são repletas de referências bíblicas e literárias (Lewis era Professor de Literatura em Oxford e Cambridge).

Ainda, sobre o conceito de invisível, podemos destacar Colossenses 1:15 e 1 Timóteo 1:17. Nesses versos, há uma clara característica de Deus – o Deus Invisível.

Ressalto que o presente texto, não se trata de uma análise crítica da Obra Até Que Tenhamos Rostos; mas sim, apenas as impressões e possíveis intertextualidade observada por um mero leitor.

Em resumo, o Romance reconta o mito grego. A narradora é Orual, filha de trom, Rei de Glome. O Rei tem três filhas: Orual (a mais velha e a mais feia), Redival e a caçula, Istra (Psique  - a mais bela de todas). Ao decorrer da narrativa, após a morte do Rei, Orual se torna a Rainha de Glome. E durante toda a sua vida, nossa narradora (digo nossa, pois como leitor, somos levados a criar laços de afeto e identificação com a personagem) realiza feitos que vão contra os costumes sociais do seu tempo. Realiza feitos que socialmente “são dignos de serem realizados por homens”. Nos dias atuais, podemos afirmar que a narrativa decorre sobre o empoderamento da Mulher e desmistificação do “gênero frágil”.

Sinceramente, a narrativa é belíssima. Diferente de As Crônicas de Nárnia, A presente obra é um Romance Adulto, repleto de amor & devoração, inveja, sofrimento, angustia, alto conhecimento, justiça, dor, superação, relação entre terreno e divino, beleza & feiura, etc.

Acredito que este Romance apresenta uma direta relação ao Livro de Jó, pois a obra inicia-se com a narradora apresentando suas queixas contra os deuses, em especial ao deus que vive na montanha cinzenta.

Como disse a própria narradora, ela escreveu esse livro (algo que ninguém teria coragem de escrever), pois ela está livre do medo dos deuses, pois não tem mais nada a temer em relação à fúria dos deuses. Assim, como Jó, na narrativa bíblica, quando chegou ao fundo do poço e não lhe restava mais nada, ele (Jó) realizou discursos direcionada a Divindade, e próximo do fim da narrativa do Livro de Jó, o SENHOR vem lhe responder. Vem trazer a resposta. 

Já no Romance Até Que Tenhamos Rostos, Orual afirma que terminou o seu livro (acusações e queixas contra os deuses) sem resposta, pois ela esperava que os deuses iriam se defender das acusações. Contudo próximo ao seu fim terreno, a narradora afirma que “Sei agora, Senhor, por que não deste nenhuma resposta. Tu és a própria resposta. Diante do teu rosto, as perguntas desaparecem. [...]”

A escolha do nome do romance Até Que Tenhamos Rostos foi realmente uma excelente sacada do autor. E essa ideia de que os deuses não falam conosco, em virtude, de ainda não termos rostos, conforme consta no capitulo 25. O que vai de encontro com a ideia bíblica de não conhecemos a Deus, mas um dia estaremos face a face, e o que era desconhecido nos será conhecido. 

Por falar em capitulo, a obra é composta por 25 (vinte e cinco) capítulos, dividido em 02 (duas) partes. A Primeira Parte é composta por 21 (vinte e um) capítulos, e a Segunda Parte por 04 (quatro) capítulos. A narradora encerra sua jornada terrena sem poder reescrever o seu livro, e deixa o livro com o paragrafo "final" incompleto: “[...] Eu te odiei por muito tempo, te temi por muito tempo. Eu poderia...”.

Depois deste trecho narrativo, o sacerdote de Glome, afirma que a Rainha morreu antes de concluir sua fala. Depois o sacerdote guarda o livro da Rainha no templo e o preserva afirmando que o livro fora escrito pela pessoa “mais sábia, justa, valente, afortunada e misericordiosa de todas as princesas conhecidas em nossa parte do mundo”.

Durante sua jornada terrena, Orual teve a companhia de Raposa, que lhe foi como um mestre, ensinado lhe a filosofia grega, e também a companhia de Bardia (soldado do Reino) que lhe foi o contado com o senso comum. Em suma, a narradora/protagonista estava em constante aprendizagem e construção de identidade mediante as dualidades: Ciência e Religião; Filosofia e Senso Comum, Beleza e Feiura, Amar e Devorar, morrer e casar, a Natura dos Deuses e a Natureza Divina, etc.

No capitulo 07, Orual diz que “deve haver muita coisa que nem o sacerdote nem Raposa entendem”. Assim, deve haver coisas que nem a religião e nem a filosofia compreendem.

Há diversos trechos narrativos muito interessante e riquíssimo, destaco:

No capítulo 13, consta o conceito de que a família real tivesse sangue divino. Orual nessa sociedade que afirma que a casa do Rei tem sangue divino. Contudo, o Raposa, o filosofo diz categoricamente que “Todos os homens têm sangue divino, o deus habita em todos os homens”. 

Para Raposa, não importa o status social: rei, nobres, súditos, plebeus, escravos, todos são imagem do divino. Lembrei-me de Efésio 4:6, ”Um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos”.

Como bem disse Teilhard de Chardin, “não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana”. A centelha divina está nos homens. 

Orual diz que era filha de Glome (doutrina) e aluna de Raposa (sabedoria da Grécia), e sua vida fora vivida nessas duas metades que nunca se juntaram. Entretanto posso acreditar que no fim de sua vida essas metades se juntaram e formaram um todo para a protagonista. Pois Orual compreendeu que ela também é Psique.

O desenvolvimento de Orual no enredo é fabuloso. Em uma sociedade na qual uma mulher não poderia liderar um exército, Orual se tornou a personagem mais fantástica e forte de todo o reino. Ela liderou o exército. Ela governou com sabedoria e muita destreza. Ganhou a admiração do povo (livre e dos escravos), dos nobres e também a admiração do sacerdote. Enfrentou os deuses. E reinou com justiça para os menos afortunados. Uma mulher que ressignificou o conceito de feminino. Coragem não é um atributo exclusivamente masculino.

Em vários momentos, a Narradora se deparava com a seguinte frase direcionada a si, dizendo “Ah senhora, é mesmo uma pena que a senhora não nasceu homem”. Assim, ela venceu todos os conceitos de sua sociedade e encerrou a sua vida, como nas palavras do sacerdote, a pessoa “mais sábia, justa, valente, afortunada e misericordiosa de todas as princesas conhecidas em nossa parte do mundo”.

Encerrarei o meu texto por aqui, senão irei me prolongar ainda mais. As obras de são cheias de referências. E a cada página folheada e a cada trecho destacado, mais assunto vai surgindo.

Recomendo a Leitura de Até Que Tenhamos Rostos. A editora Ultimato está de parabéns pela tradução da obra. Belíssima capa, com ênfase no castelo (invisível – na versão Lewisiana) de Psique. Só não concordei com a escolha do subtítulo “A releitura de um mito”. Certamente escolha da equipe de marketing. Certamente, eu preferiria a tradução literal de “A Mith Retold” [Um mito recontado]. Mas a escolha da editora não altera a essência do Romance.

E muito obrigado a você leitor (a) que persistiu e chegou até ao fim do meu texto sobre minhas impressões acerca do livro Até Que Tenhamos Rostos, de C.S. Lewis. Sinta-se à vontade em deixar os seus comentários.

Grande abraço.

Fabio Faith

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domingo, 6 de agosto de 2017

Livros C.S. Lewis #Ultimato

Os mais novos integrantes de minha biblioteca.

Eu estava muito ansioso para ler Até que Tenhamos Rostos. Muito bom ter este livro na língua materna. Brilhante trabalho da Editora Ultimato.

Eu havia lido o em inglês. na época, eu havia baixando um exemplar em .PDF, agora tenho essa preciosidade em minha coleção.

Que comece as leituras!

Em breve no Blog teremos mais comentários acerca da leitura desses exemplares:

1) Até Que Tenhamos Rostos - uma releitura do mito (Till We Have Faces: A Myth Retold);
2) Lendo os Salmos (Reflections on the Psalms – CS Lewis);
3) Leituras Diárias Das Crônicas De Narnia - Um ano com Aslam.


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segunda-feira, 6 de março de 2017

O Treinador do Meu Sobrinho

 


Sugestão de leitura #FicaDica.  




Disponível pela Editora Ella. Adquira o seu!!

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domingo, 29 de maio de 2016

Release Ana Rapha Nunes



Ana Rapha Nunes vem ganhando força no cenário literário local. A escritora voltada ao público infanto-juvenil vem conquistando leitores e divulgando seu trabalho na mídia.

A escritora colocou no mercado o livro infanto-juvenil A Lua Que Eu Te Dei, pela editora Appris. A obra traz a história de uma bela amizade de infância. Luan e Bebel são amigos desde o tempo das fraldas, não se desgrudam. Mas, com o passar do tempo, as coisas começam a mudar. Bebel vai crescendo e deixando de lado o seu melhor amigo, aquele que sempre esteve ao seu lado, nos momentos de alegria e de angústia. Mas Luan não irá se conformar com o fim dessa amizade, e fará de tudo para provar o seu sentimento por Bebel, até mesmo dar a Lua de presente para ela. Assim, a história traz um pouco das recordações da infância e dos valores cultivados nessa época da vida, tão importantes para a nossa formação. Nesse sentido, é uma leitura muito apreciada também por adultos, que gostam de reviver os bons momentos juvenis.

Em maio, a escritora estará lançando a obra infanto-juvenil Mariana, pela editora Inverso, a qual é uma história ambientada na cidade de Mariana, Minas Gerais, que conta a tragédia ocorrida em novembro de 2015, pelos olhos de uma menina de doze anos, também chamada Mariana.

A autora vem ganhando destaque nas redes sociais e nos eventos locais, sempre participando de palestras e bate-papos literários, em escolas e empresas, divulgando a importância da leitura, o que também trabalha incessantemente em sala de aula, visto que é professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II e de cursos de graduação.

Ana Rapha é membro integrante da AEILIJ, vem participando de várias entrevistas nos meios de comunicação, além de o seu livro ser alvo de resenhas feitas por blogueiros de todo o país. A autora esteve recentemente na Feira do livro de Joinville.

Para adquirir o livro, basta apenas acessar o site da editora Appris (http://www.editoraappris.com.br/produto/a-lua-que-eu-te-dei), ou o site das Livrarias Cultura (http://www.livrariacultura.com.br/p/a-lua-que-eu-te-dei-46089500). Também é possível adquiri-lo nas Livrarias Curitiba ou ainda pelo Facebook da autora (escritora Ana RaphaNunes), se quiser um exemplar autografado, faz envio para todo o país.


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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Bom dia!




Um dia desses, eu estava imaginando um possível diálogo entre O Paulama Brejeiro (a personagem mais pé- frio que conheço) e o Mago Gandalf.

Caso o leitor não seja NERD, explicarei detalhadamente: 

Paulama Brejeiro é personagem de As Crônicas de Narnia (A Cadeira de Prata). Na minha opinião um dos melhores personagens do livro 06 (ordem cronológica de As Crônicas de Narnia). Gandalf é a personagem da saga do Senhor dos Anéis

Bem, extrair trechos da fala do Paulama (A Cadeira de Prata) e mesclei com a fala de Gandalf no livro O Hobbit.


E o diálogo seguiu assim:

Paulama: Bom dia, Gandalf!
Gandalf: O que você quer dizer com isso? Está me desejando um bom dia, ou quer dizer que o dia está bom, não importa que eu queira ou não, ou quer dizer que você se sente bem neste dia, ou que este é um dia para estar bem?
Paulama:  É verdade que quando digo bom dia não estou querendo dizer que não vai chover... ou nevar... ou trovejar.
Gandalf: Muito bonito! [Mas não tenho tempo a perder, vou a casa do Hobbit] Estou procurando alguém para participar de uma aventura.
Paulama: Se uma aventura dessas não consertar um sujeito, é por que não tem mesmo conserto.



Sobre aventura, Chesterton diz: 

Uma inconveniência é apenas uma aventura erroneamente considerada; uma aventura é uma inconveniência corretamente considerada.” 

Não viremos as costas para a aventura! 
Como foi dito pelo Paulama, uma aventura pode consertar uma pessoa.



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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Meninos: não se comportam direito.

Said an older Dog:
"After all, we call our puppies Boys when they don't behave properly."

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terça-feira, 23 de abril de 2013

What a star is?





"In our world," said Eustace, "a star is a huge ball of flaming gas."

 "Even in your world, my son, that is not what a star is but only what it is made of.


[C. S. Lewis. The Voyage of the Dawn Treader, 1955].
From chapter 14: The beginning of the end of the world


– No nosso mundo – disse o judicioso Eustáquio – uma estrela é uma enorme bola de gás inflamável.
– No nosso também, meu filho, mas isso é de uma estrela é feita, não o que ela é.

[A Viagem do Peregrino da Alvorada. Cap. 14]

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terça-feira, 19 de março de 2013

Make a choice


C. S. Lewis wrote:
 
"I would much rather say that every time you make a choice you are turning the central part of you, the part of you that chooses, into something a little different from what it was before".

[In. Mere Christianity]


Devo dizer que, toda vez que fazemos uma escolha, transformamos a parte central do nosso ser, o departamento das escolhas, em algo um pouco diferente do que era antes.

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sexta-feira, 8 de março de 2013

O PERIGO DE DORMIR COM PENSAMENTOS GANANCIOSOS



C. S. Lewis wrote in The Voyage of the Dawn Treader:



“[Eustace] had turned into a dragon while he was asleep. Sleeping on a dragon’s hoard with greedy, dragonish thoughts in his heart, he had become a dragon himself […]”.



C. S. Lewis escreveu em A Viagem do Peregrino da Alvorada (1952):

[Eustáquio] Tinha se transformado num dragão enquanto dormia. Ao dormir sobre um tesouro de um dragão, com pensamentos gananciosos, típico de um dragão, ele próprio acabara se transformando em dragão [...]”.
(As crônicas de Narnia. Vol. Único. Ed. WMF Martins Fontes. Pag. 443)

Os contos de fadas nos dizem que a ganância é típica dos dragões.  Deve ser por isso que Tolkien nos conta em O Hobbit, sobre o dragão Smug e seu tesouro. Se Eustáquio tivesse lido O Hobbit, talvez não fosse para cama com “dragonish” em seu coração.

Eustáquio é o tipo de pessoa que não dá valor para o que os contos de fadas nos ensinam. Uma pessoa que menospreza a fantasia e imaginação. Ele lia somente livros de ciências. A Teoria Literária nos ensina que ele (Eustáquio) é uma personagem redonda. E se fosse minha intenção analisá-lo, teria que escrever muito, o que deixaria o post muito longo... Então deixaremos essa atividade para alguma aula de Análise Literária. Quero me ater aqui apenas no perigo de se tornar um dragão quando há no coração humano “dragonice” [irei chamar “dragonish” por “dragonice”].

Muito interessante como o narrador nos apresenta o perigo dos pensamentos gananciosos e que estes pensamentos tem o potencial de nos tornar monstros. Esses pensamentos trazem a tona o mal que há no homem. Também é muito interessante como A Bíblia nos conta como o mal entrou no mundo e corrompeu a boa criação. Não é á toa que aquela Velha Serpente (dragão)* tenha desejando famintamente ocupar o Trono de Deus, nem foi á toa que ela tentasse Adão e Eva.

O que seria a ganância (ou greedy, em inglês)? Ela é esse desejo excessivo pelo poder, etc. 
Segundo o dicionário Collins:

  1. excessively desirous of food or wealth, esp. in large amounts; voracious
  1. postpositive foll by for eager (for) ⇒ a man greedy for success.

Talvez alguém escreva nos comentários: 
“Bem, dragões não existem e os contos de fadas só ensinam mentiras paras as crianças”.

Terei que discordar desta premissa. Primeiro, citarei Chesterton e depois direi que mesmo que não existam dragões, não podemos negar a existência da maldade que habita no coração do homem. 

Vamos para o que G. K. Chesterton escreveu:
"Contos de fada são a pura verdade.  
Não porque nos contam que os dragões existem, 
mas porque nos contam que eles podem ser vencidos."

E isso é muito consolador! dragões podem ser vencidos. Assim, os pensamentos gananciosos também podem ser vencidos. Quando Eustáquio deixou de ser dragão e voltou a ser menino seu caráter e a forma de se relacionar com os outros mudaram. 

Antes de ser um dragão, ou melhor, antes de saber do mal que há em si mesmo e de reconhecer que humanamente precisava da Graça de Deus, Eustáquio era O Chato que só lia livros inúteis, de fato

Ok galera! Tudo bem, não sejamos tão duros com os livros de ciências. Eles não são tão inúteis assim. Só não nos dizem nada sobre dragões, pois esses seres não são objetos de seus estudos.

Eustáquio experimentou a conversão... Ele se encontrou com Aslan e essa mudança não foi nada confortável como o filme nos conta, só lendo o livro para se ter idéia do quão difícil foi essa mudança... Não foi fácil vencer o dragão e não é e nem será fácil vencer o mal que há no coração humano.

O Menino que fora dragão nos conta sua conversão assim:
É como quem tira um espinho de um lugar dolorido. Dói pra valer, mas é bom ver o espinho sair”. 
[grifo meu]
E o narrador nos fala um pouco mais:
Seria bonito e muito próximo da verdade dizer que, dali por diante, Eustáquio mudou completamente. Para ser rigorosamente exato, começou a mudar. Às vezes tinham recaídas. Em certo dias era ainda um chato, mas a cura havia começado”.

Desta forma, caro leitor (a), se algum dia você tiver que dormir sobre o tesouro de um dragão, procure não ter em seu coração nenhum tipo de DRAGONICE.

Grande abraço =]
E uma ótima semana a todos!


*Apocalipse 20:2
 


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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Cat Heaven



Cathy Who is Queen of cats has cats and cats and cats.

Baby cats, big cats, skinny cats, sick cats. 
Cats asleep like little donuts.

Cats on top of refrigerator. 
Cats talking a walk on the dinner table.

Her house is like cat heaven.

[The House on Mango Street]
[Sandra Cisneros] 

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Imagine um caramujo erudito

De onde vem essa predisposição das pessoas de achar que Deus possa ser tudo, menos o Deus concreto, vivo, desejoso e atuante da teologia cristã? Acho que a razão é a seguinte. Vamos imaginar um caramujo totalmente erudito, um verdadeiro guru entre os caramujos, que (em uma visão arrebatadora) consegue ver, ainda que de relance, o que é um ser humano. Na tentativa de transmitir suas visões aos seus discípulos, os quais já têm seus próprios conceitos sobre o assunto (ainda que menos informados do que ele), ele terá que usar muitas negações. Terá que lhes dizer que nenhum ser humano vive em uma concha; que não vive como um molusco, grudado em uma pedra; que não vive rodeado de água etc. E os discípulos que tiverem alguma visão, certamente, acabarão captando a idéia do que seja o ser humano.

O problema é que chegam então os caramujos intelectuais, eruditos, que escrevem histórias da filosofia e dão palestras sobre religiões comparadas, mas que nunca tiveram visão por si mesmos. Tudo o que eles conseguem extrair das palavras proféticas do caramujo são apenas os aspectos negativos, tudo isso sem o corretivo de um olhar positivo. Eles constroem, assim, uma imagem do homem como se fosse uma espécie de gelatina amorfa (ela não possui concha), que não existe em um lugar específico (muito menos grudada em alguma pedra), e que jamais se alimenta (não há ondas fazendo o alimento chegar até ela). E, fiéis à sua reverência tradicional pelo homem, eles concluem que ser uma gelatina subnutrida, que vive num vácuo sem dimensões, seja o modo supremo de existência. Assim, rejeitam como grotesca, materialista e supersticiosa toda doutrina que atribua ao homem uma forma, uma estrutura e um sistema orgânico definidos.
[In. Um Ano com C. S. Lewis]

Fonte: Ultimato


 

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domingo, 4 de novembro de 2012

Urendi Maleldil

Terminei minha leitura de Uma Força Medonha. As obras de Lewis dispensam comentários. Em particular, gostei mais do primeiro e segundo livro (Alem do Planeta Silencioso e Perelandra, respectivamente) devido o elemento fantástico está presente desde o inicio da narrativa. Nos livros 01 e 02, a estória acontece num outro mundo (Marte e Venus), já no livro 03 (Uma Força Medonha) a narrativa acontece em nosso planeta mesmo e deve ser por isso que a fantasia não surge desde o inicio da leitura.


Porém foi o livro 03 que eu mais fiz anotações. Em relação aos outros (01 e 02), este está muito mais sublinhado e com muitas setas de anotações. Eu estava esperando encontrar neste livro pelo menos algum dialogo dos Eldila, mas o narrador preferiu omiti-las. Em Uma Força Medonha, os capítulos estão com títulos (gosto muito deste recurso), já os dois primeiros livros não apresentam capítulos com títulos.

Fiquei um pouco decepcionado com uns aspectos a tradução, escolheram traduzir algo e optaram e não traduzir outras. Como por exemplo, escolheram traduzir N.I.C.E por Inec (não considero essa uma boa opção, talvez num outro momento fale mais sobre isso). Mantiveram Fisher-King, mas traduziram Pendragon por Líder Supremo. Os leitores brasileiros captariam os segredos e as intenções do autor ao ler a palavra Fisher-King, mas não compreenderiam ao ler Pendragon? Acredito que a melhor escolha seria deixar Pendragon, ao preferirem traduzir por Líder Supremo. Pelo óbvio de que a palavra inglesa corrobora muito melhor com a compreensão da leitura, levando em consideração que a narrativa lewisiana é construída pelos elementos arthuriano.

Em sua critica, George Orwell, diz que a narrativa ficou confusa com o uso da fantasia e a obra é excelente sem elas (fantasias). Imagino que Orwell tenha ficado muito confuso ao ler em especial o capitulo 16 (penúltimo capitulo)... A gente acaba se perdendo na cena que nos é narrada... Uma confusão geral – o que o narrador irá chamar de Maldição de Babel. Excelente sacada de Lewis!

Comei a leitura esperando ansiosamente pelo fantástico, bem a proposta do livro era essa – de ser um conto de fada (fantasia) para adultos e quando chego ao fim, fico com aquela sensação de Quero mais... Não acabe... Prossiga!

Não gostei de como os vilões morrem... Eles deveriam ter sofrido mais (risos). A personagem Fada é um ser muito Medonho. Até o diabo fugiria dela! Fiquei muito angustiado com todo desencontro do casal Mark e Jane. Desejo que no fim, o reencontro tenha sido Fabuloso.  Gostei com destino do Sr. Ransom (o herói nos livros anteriores). Dei ótimas gargalhadas com algumas cenas, em especial com a cena que está registrada nas paginas 402 e 550 (se ficou curioso, sugiro que leia o livro).

Num próximo post, irei relacionar algumas alusões presente no livro e algumas notas de leituras.

Grande abraçoO
E ótima semana a todos (as)

Urendi Maleldil




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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

OS CIENTISTAS ESTÃO NO CONTROLE

         George Orwell escreveu uma crítica a That Hideous Strength (1945) de C. S. Lewis (No Brasil, a obra foi publica pela WMF Martins Fontes, com o titulo de Uma Força Medonha). 


Quem foi George Orwell, você me pergunta? Bem, ele foi um escritor e jornalista inglês. Entre suas obras, podemos citar: 1984 (publicado em 1949), A Revolução dos Bichos (1945), e outras mais. Ele escreveu poemas, artigos, poemas, etc.

Sua crítica ao trabalho de Lewis, foi publicado em 16 de Agosto de 1945, no Manchester Evening News.  Com o seguinte titulo: THE SCIENTISTS TAKE OVER (caso tenha interesse de lê-lo na integra, clique aqui).

Orwell começa seu review (crítica literária), dizendo que os melhores romances são aqueles que não fazem uso do elemento fantástico (anjos, fantasmas, magia, etc.). E que na obra Uma Força Medonha, Lewis utiliza-se muito deste recurso. Segundo Orwell, provavelmente teria sido um livro melhor se o elemento mágico fosse deixado de fora.

Ele continua resumindo a obra de Lewis ao dizer que em essência, é uma estória de crime. E acrescenta que os acontecimentos milagrosos (elementos fantásticos) não são essenciais para as estórias de crimes.

George Orwell acredita que Lewis se assemelha a G. K. Chesterton (este por sua vez escreveu O Homem Que Era Quinta-feira).  Orwell afirma que é provável que Lewis compartilhe do pensamento chestertoriano no que diz respeito às verdades do cristianismo contra o materialismo científico ou niilismo. Em seu comentário, Orwell diz de onde provavelmente Lewis foi buscar o titulo para a obra em questão.

Assim, Orwell prossegue em seu resumo dizendo que o livro descreve a luta de um pequeno grupo de pessoas simples contra um instituto cientifico que pretende dominar o mundo e se possível o universo inteiro. Em outras palavras, colocar tudo sob o controle da ciência.

Orwell descreve o instituto cientifico (Instituto Nacional de coordenadas Experimentos) e acrescenta afirmando que um dos personagens do romance de Lewis que é conhecido como O Cabeça, é tão excitante quanto numa estória de detetive.

Para Orwell, o livro de Lewis seria muito bom para se sugerir a alguém se ele não fosse escrito com elementos fantásticos, pois segundo Orwell, esse elementos deixaram a obra um pouco confusa. Depois, o crítico literário prossegue sua resenha, afirmando que os cientistas da estória estão interessados no corpo do antigo mago Merlin que está enterrado no intuito de controlar o universo. Mas o trabalho dos cientistas é frustrado pelo protagonista e por uma vidente e por alguns seres angelicais.

Segundo George Orwell, o livro termina de uma forma que é tão absurda que nem sequer conseguem ser horrível, apesar de muito derramamento de sangue. Orwell comenta sobre as crenças de Lewis.

O autor encerra sua crítica dizendo que é um livro que vale a pena a leitura. O que para mim, foi apenas uma forma polida de encerrar um texto. Pois foi assim que aprendi na disciplina de Leitura e Produção de Texto (em 2011) a encerrar uma crítica.

Ainda estou lendo Uma Força Medonha, depois compartilho aqui no blog minha opinião sobre a obra. Depois da leitura do comentário do Sr. Orwell, lembrei-me do que Lewis escreveu no prefácio:

“Chamei este livro de conto de fada na esperança de que aqueles que não gostam de fantasia não sejam persuadidos a continuar sua leitura, pelos dois primeiros capítulos, para depois virem queixar-se decepcionados”



Ótima semana a todos.
Grande abraço!






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